Microplásticos já são considerados um dos grandes desafios ambientais e de saúde da atualidade. São partículas minúsculas de plástico, geralmente com menos de 5 milímetros, facilmente dispersas pelo ambiente. Originam-se da degradação de resíduos plásticos, como sacolas, embalagens e garrafas, mas também de roupas sintéticas — poliéster e nylon estão entre as principais fontes, entre outros objetos.

A produção global de plásticos saltou de cerca de 2 milhões de toneladas em 1950 para impressionantes 450 milhões de toneladas por ano em 2022. E esse material, extremamente durável, não desaparece: apenas se fragmenta em partículas cada vez menores. Assim, plásticos maiores se transformam em microplásticos, que continuam circulando e se acumulando no ar, na água e no solo. Por serem leves e diminutos, escapam de sistemas convencionais de filtragem. Já foram encontrados em oceanos, alimentos, água potável, na chuva e em tecidos de humanos e animais.
Hoje sabemos que a exposição a microplásticos está associada a inflamação, estresse oxidativo, alterações hormonais e possíveis impactos sobre a microbiota intestinal e o sistema imunológico. Embora ainda haja muito a ser investigado, os dados disponíveis em humanos e em modelos animais já acendem sinais de alerta. Uma publicação científica espanhola recente identificou microplásticos em todas as amostras de rações secas analisadas, em concentrações significativas — de centenas a milhares de partículas por quilo de alimento. As fontes prováveis incluem matérias-primas contaminadas, especialmente cereais e farinha de peixe, além do processamento industrial, desgaste de equipamentos, embalagens e poeira ambiental. Ainda não existe uma regulamentação sobre níveis máximos permitidos de microplásticos para alimentos para pets na União Européia. Como pets alimentados com ração seca a consomem diariamente, sua exposição pode ser proporcionalmente ainda maior do que a nossa.
Os microplásticos e outros xenobióticos estão aqui para ficar — literalmente. Não podemos eliminá-los por completo, mas podemos adotar medidas para reduzir a exposição dos nossos pets — e a nossa também.

Evite brinquedos de plástico
Leia a composição ao escolher brinquedos para seu cão ou gato e prefira itens sem plástico, nylon, borracha sintética de baixa qualidade ou materiais muito leves que se fragmentam facilmente. Um item que muitos cães adoram – a garrafa PET – deve ser evitada, pois libera partículas em contato com a saliva quentinha.
Leia a composição de produtos
Quando possível, prefira itens sem melamina, PVC, poliuretano e polipropileno na composição.
Tigelas
Prefira tigelas de aço inox de boa qualidade, vidro, cerâmica/louça lisa (sem fissuras). Evite recipientes de plástico especialmente os antigos e riscados.

Preparo dos alimentos
Calor + plástico = maior liberação de microplásticos. A comida do seu pet é preparada em casa? Na hora de porcionar, aguarde o alimento esfriar para só então acondicioná-lo em embalagens plásticas. Prefira armazenar as porções em embalagens de vidro – as tampas podem ser de plástico, mas nesse caso, adicione o alimento frio para evitar condensação. Vai aquecer a refeição do pet? Retire de embalagens plásticas. A comida do peludo é preparada por uma empresa? Verifique se aguardam ela estar fria para só então ser embalada em plástico. Evite lavar recipientes plásticos com água quente.
Atenção aos tecidos
Tecidos sintéticos liberam microfibras de plástico. Ao escolher roupinhas, mantas e caminhas, dê preferência a algodão, tecidos naturais e capas laváveis de melhor qualidade.
PFAS
PFAS, os “químicos eternos”, são compostos presentes em embalagens, utensílios antiaderentes e diversos produtos do dia a dia. Extremamente persistentes, acumulam-se no ambiente e no organismo, estando associados a alterações hormonais, imunológicas e metabólicas. No preparo de alimento caseiro para cães e gatos, vale preferir panelas de inox, vidro ou ferro fundido, evitando revestimentos antiaderentes arranhados. Também é recomendável armazenar os alimentos em recipientes de vidro ou aço inox, em vez de embalagens plásticas ou impermeabilizadas.

Combata a poeira
A poeira doméstica comum acaba sendo, por incrível que pareça, uma fonte importante de microplásticos. Como nossos gatos e cães não usam roupas, caminham descalços e, o pior, se lambem constantemente, sobretudo os gatos, muito da exposição a poluentes ambientais vem da exposição a poeira. Para combatê-la, aspire a casa com frequência, dê atenção especial a tapetes, caminhas, mantinhas do pet e estofados, e considere comprar um purificador de ar.
Filtre a água
Filtros de água de boa qualidade ajudam a reduzir a presença desses compostos na água de beber. Procure se informar ao adquirir um filtro. Para quem não pode investir muito, um bom filtro de carvão ativado já representa uma medida importante para reduzir a exposição diária aos microplásticos e a outros contaminantes presentes na água.
Descarte itens desgastados
Está gasto? Na dúvida, descarte. Evite contato com superfícies muito degradadas, como brinquedos, potes, panelas ou acessórios velhos e riscados. Elas liberam mais partículas.

Detox?
Ainda estão sendo estudadas estratégias para ajudar pessoas e animais a eliminar ou reduzir o acúmulo de microplásticos e outros xenobióticos, já que essa exposição é onipresente e inexorável. Por isso, é fundamental adotar medidas que reduzam nosso contato diário com esses compostos. Além disso, pode ser interessante oferecer suporte periódico aos principais órgãos de detoxificação — fígado, rins e intestino — por meio de alimentos como crucíferas (brócolis, repolho, couve-manteiga e couve-flor) e cogumelos, além de fitoterápicos e nutracêuticos como clorela, quitosano, N-acetilcisteína e dente-de-leão. Converse com uma veterinária integrativa sobre essa possibilidade.
Sylvia Angélico
Médica Veterinária
pós-graduada em Nutrição Animal
CRMV-SP 29945
Comunicado Cachorro Verde
As informações divulgadas em nossas postagens possuem caráter exclusivamente educativo e não substituem as recomendações do médico-veterinário do seu cão ou gato. Por questões ético-profissionais, a Dra. Sylvia Angélico não pode responder certas dúvidas específicas sobre questões médicas do seu animal ou fazer recomendações para seu pet fora do âmbito de uma consulta personalizada. Protocolos de tratamento devem sempre ser elaborados e acompanhados pelo médico-veterinário de sua confiança.
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