A maioria dos cães — e até um ou outro gato — adora uma frutinha como petisco. Por aqui, Zuri gosta de ganhar pedacinhos de quase todas as frutas que consumo com mais frequência: melão, maçã, banana, figo, avocado, goiaba, abacaxi e mamão. Amoras, porém, ela só manda pra dentro se eu amassar e misturar na comida dela. Quando era filhote, minha gata Lenù também apreciava avocado e mamão.

Para cães que curtem frutas, elas podem compor uma pequena parte da alimentação diária, servidas separadamente ou incluídas na porção de vegetais da dieta. Recomendo oferecê-las como 5 a 10% do total diário de alimento, à parte.

Mas atenção: nem toda fruta é adequada para nossos peludos. Não ofereça carambola; além do alto teor de oxalatos, ela contém uma neurotoxina chamada caramboxina, perigosa para animais com comprometimento renal. Uvas e passas também devem ficar fora do cardápio, independentemente da cor ou de serem orgânicas, devido ao risco de lesão renal aguda. Antes de oferecer maçã ou pera, retire as sementes; elas contêm pequenas quantidades de compostos que podem liberar cianeto. E nada de deixar caroços ao alcance do pet: os de manga, ameixa, avocado e pêssego podem ser engolidos e causar acidentes.

Ah, e já que falei em avocado e abacate: é sempre bom lembrar que, sim, a polpa pode ser oferecida a cães e gatos. Um estudo publicado em 2012 (Davenport et al) ajudou a demonstrar sua segurança. O cuidado é evitar o caroço, a casca, o caule e as folhas, que contêm persina e podem causar problemas.

E as frutas ácidas? Com bom senso, também estão liberadas. Para se ter uma ideia, o pH do abacaxi fica em torno de 3,5, enquanto o estômago de cães e gatos é naturalmente muito mais ácido, com pH geralmente entre 1 e 2. Evite-as para animais com gastrite ou sensibilidade gastrointestinal ativa.

Oferecidas com moderação, as frutas rendem petiscos deliciosos, refrescantes e nutritivos. São fontes de água, fibras, vitaminas, minerais e inúmeros fitonutrientes e antioxidantes.

🍓 Morango (16 kcal/50 g)
O morango é rico em fisetina, um composto vegetal com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que vem sendo estudado por seu potencial efeito contra o envelhecimento celular. Estudos experimentais sugerem que a fisetina pode ajudar a eliminar células caducas e proteger o coração e o sistema nervoso. Ofereça o morango sem os cabinhos e folhas, que podem irritar o trato gastrointestinal, e quando possível, sem agrotóxicos.

🥑 Abacate/avocado (80 kcal/50 g)
Ricos em vitamina C e E, potássio, ácido fólico e fibras, esses frutos também fornecem ácido oleico, a gordura monoinsaturada benéfica presente também no azeite de oliva. O abacate contém ainda fitosteróis, como o beta-sitosterol, associados à saúde cardiovascular. Também têm baixíssima carga glicêmica, com níveis bem baixos de frutose, açúcar naturalmente presente nas frutas.

🍍 Abacaxi (24 kcal/50 g)
Boa fonte de vitamina C, manganês e compostos antioxidantes. Contém bromelaína, enzima com propriedades anti-inflamatórias e que também dá uma forcinha na digestão da proteína. Ah! E apesar de ser uma fruta ácida, é segura desde que o cão ou gato não esteja com gastrite ativa. O pH do estômago desses animais é mais ácido (1.0 a 2.0) que pH do abacaxi (por volta de 3.5).

🫐 Frutas vermelhas e roxas (22 kcal/50 g)
Framboesa, amora-preta e mirtilo: essas frutas são ricas em vitamina K, fibras prebióticas e polifenóis, incluindo o ácido elágico, compostos associados à proteção contra o estresse oxidativo. Em cães de trenó, o consumo de mirtilos aumentou a capacidade antioxidante do plasma após o exercício, sugerindo proteção contra danos oxidativos relacionados à atividade física intensa. São, portanto, ótimas opções de petisco, em pequenas quantidades.

🥝 Kiwi (31 kcal/50 g)
Excelente fonte de vitamina C, além de fornecer fibras, ácido fólico, potássio e antioxidantes. Contém actinidina, uma enzima que auxilia a digestão de proteínas. Seu conjunto de fibras e compostos bioativos também faz bem à saúde intestinal.

❤️ Romã (42 kcal/50 g)
Suas elagitaninas são convertidas pela microbiota intestinal em urolitina A, que vem sendo estudada por seus possíveis efeitos sobre a função mitocondrial, a saúde muscular e o processo de envelhecimento. Estudos em cães e em laboratório sugerem que a romã pode contribuir para a saúde oral. Em laboratório, um extrato de romã reduziu em 39% a sobrevivência de Porphyromonas gulae, uma bactéria associada à doença periodontal canina, além de inibir o crescimento de outras bactérias orais.

🍎 Maçã (26 kcal/50 g)
Boa fonte de fibras, especialmente pectina, que contribui para um cocô bem formado e serve de alimento para bactérias benéficas da microbiota. A casca concentra muitos polifenóis, incluindo a quercetina, estudada por suas propriedades antialérgicas, antioxidantes e anti-inflamatórias. Lave bem e sirva com casca — concentra ainda mais quercetina. Mas remova as sementinhas; elas contêm pequenas quantidades de compostos que podem liberar cianeto, uma toxina.

🍌 Banana (45 kcal/50 g)
Fonte de potássio, vitamina B6 e fibras. Quando ainda não está muito madura, contém mais amido resistente, que funciona como prebiótico, alimentando as bactérias da microbiota intestinal. Bananas mais para verdes também fornecem taninos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórios, além de carotenoides que ajudam a prevenir o estresse oxidativo.

🍉 Melancia (15 kcal/50 g)
Composta por cerca de 92% de água, a melancia é rica no aminoácido L-citrulina, precursor do óxido nítrico e estudado por seus efeitos sobre a circulação e a função muscular. A porção que concentra mais L-citrulina é a parte branca logo após a polpa vermelha. Isso, sem falar nos antioxidantes. Ela é fonte de licopeno, que protege as células de dano oxidativo, e betacaroteno, precursor da vitamina A e benéfica aos olhos, pele e imunidade.

🍈 Mamão (21 kcal/50 g)
O mamão é rico em água, fibras, vitamina C, ácido fólico e carotenoides, como o betacaroteno e a beta-criptoxantina, compostos antioxidantes que também podem ser convertidos em vitamina A pelos cães. Contém também papaína, uma enzima proteolítica capaz de quebrar proteínas e bastante estudada por suas aplicações digestivas e anti-inflamatórias. Suas fibras também podem contribuir para o bom funcionamento intestinal.

Sylvia Angélico
Médica Veterinária
pós-graduada em Nutrição Animal
CRMV-SP 29945

Comunicado Cachorro Verde

As informações divulgadas em nossas postagens possuem caráter exclusivamente educativo e não substituem as recomendações do médico-veterinário do seu cão ou gato. Por questões ético-profissionais, a Dra. Sylvia Angélico não pode responder certas dúvidas específicas sobre questões médicas do seu animal ou fazer recomendações para seu pet fora do âmbito de uma consulta personalizada. Protocolos de tratamento devem sempre ser elaborados e acompanhados pelo médico-veterinário de sua confiança.

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