Reuni nesta postagem algumas condutas simples que podem fazer uma grande diferença na hora de resolver contratempos bastante comuns envolvendo a Alimentação Natural (AN). São dicas que me pego repetindo com frequência por aqui, nos comentários nos stories sempre que abrimos a caixinha de perguntas, e também na comunicação com minhas clientes.
Muitas delas fazem parte do meu dia a dia com a Zuri e os gatinhos e já me salvaram em diversas situações com meus peludos anteriores. ❤️
P.S. É importante lembrar que essas condutas podem não solucionar todos os casos. Se for assim, busque orientação individualizada de uma veterinária experiente no assunto.

Rejeita a clara do ovo
A clara concentra mais da metade da proteína do ovo, então não a deixe de lado. Se o cão ou gato só quer a gema, como acontece com a Zuri e meus gatos, triture o ovo junto aos demais alimentos da AN; para a Zuri, também funciona amassar o ovo cozido com garfo, ou bater de leve o ovo cru, e misturar à refeição na hora de servir. Outra opção é fazer ovo mexido com um pouquinho de manteiga, ghee ou óleo de coco. Uma ótima maneira de “disfarçar” a clara para paladares exigentes.
Enrola para comer de manhã
Leve para passear antes de servir a primeira refeição. Caminhar por 20-30 minutos acelera a motilidade intestina, estimula a eliminação de cocô e gases. Tudo isso desperta o apetite.
Rejeita a suplemento vitamínico-mineral
A principal causa de rejeição, a meu ver, é a falta de uma introdução gradativa. Comece com apenas ¼ da dose diária pretendida, aumentando a cada 3 dias, e misture bem ao total diário de alimento — não apenas a uma das refeições. Se, mesmo assim, seu peludo rejeitar o suplemento, experimente congelá-lo bem misturado à comida: isso costuma disfarçar bastante sua presença. Ao descongelar ou servir, porém, evite aquecer além de um banho-maria, para minimizar a perda de vitaminas pelo calor.

Rejeita sardinha
Peixes ricos em ômega-3, como sardinha, manjuba e cavala, são queridinhos na AN, mas alguns cães torcem o nariz. Experimente oferecê-la congelada na refeição do horário em que o animal sente mais fome — aqui costuma ser a última, no final da tarde. Ou cozida e triturada junto com a carne da dieta. Sardinha em lata, sem óleo, costuma agradar aos mais seletivos. Lembre-se de descartar o óleo em um potinho fechado — nunca na pia, para não contaminar a água.
Colite por qualquer coisinha
A levedura nutricional ou a levedura de cerveja podem contribuir para uma maior estabilidade intestinal, especialmente diante de mudanças na alimentação, ambiente ou situações de estresse. Seus β-glucanos e mananoligossacarídeos ajudam a modular a microbiota e a resposta imune da mucosa, favorecendo a integridade da barreira intestinal, além de ser fonte de vitaminas do complexo B. A maioria dos pets a tolera bem e gosta do sabor, em especial, os gatos. Sugiro adicionar como 1% do total de alimento servido.
Constipação? Vá de abóbora
Para cães e gatos levemente constipados vejo muito resultado com a inclusão de abóbora moranga ou cabotiá, cozida, como 5 a 10% do total de alimento servido. Outras boas opções incluem quiabo cozido e inhame sem casca, cozido — este último entra na porção de carboidratos da dieta.

Rejeita vísceras
A textura gelatinosa e o cheiro forte de vísceras como fígado, rim e baço podem desagradar alguns cães e gatos. Triture-as junto à carne da dieta ou cozinhe-as para deixá-las mais firmes; para os mais resistentes, há ainda a opção de oferecê-las desidratadas. Nesse caso, atenção à quantidade: como a desidratação concentra os nutrientes e reduz o volume, ofereça no máximo 2% do total diário de alimento servido.
Cocô toda hora mole ou com muco
Pode ter algumas causas — intolerância alimentar, verminose, disbiose, reação adversa a mastigáveis — mas pode ser falta de fibras solúveis na dieta. Experimente adicionar fibra psyllium, fonte sem glúten de fibras solúveis e insolúveis, como 1% do total de alimento diário. Adiciono 10g a cada 1kg de AN dos meus gatos e 3g (1 colher de chá) a cada 300g de AN da Zuri, diariamente. Se não ajudar, investigue o que pode estar havendo junto a uma veterinária nutróloga ou gastroenterologista bem recomendada.
Vômitos biliosos
Episódios de vômito de espuminha amarelada de manhã ou de madrugada podem ter relação com tempo excessivo em jejum. Observo com frequência essa ocorrência em cães de porte miniatura que recebem a primeira refeição tarde e a última refeição cedo. Fracione o total diário de alimento em três a quatro pequenas refeições, servindo a primeira assim que a casa acorda e a última 1-2 horas antes de o animal dormir. E, claro, se não melhorar, procure a veterinária de confiança para investigações.

Não tolera suplemento de ômega-3
Há cães e gatos que rejeitam cápsulas de óleo de peixe (fonte de ômegas-3) e também não aceitam que sejam abertas e o óleo seja misturado na comida. aLGUNS não toleram; é ingerir o óleo e apresentam desconforto digestivo. Uma saída é oferecer ômega-3 na forma de alimento, incluindo sardinha, manjubas, cavala, arenque ou anchova como 5% a 10% do total diário de alimento servido, no mínimo 3 dias por semana.
Rejeita vegetais
Se você os oferece crus, experimente cozinhá-los — ficam mais apetitosos, especialmente se preparados na água do cozimento das carnes e vísceras. Persistindo a resistência, triture-os junto às carnes e respeite as preferências individuais: meus gatos, por exemplo, não gostam de cenoura, mas aceitam abóbora, couve-flor, brócolis e espinafre; já a Zuri só os aceita bem triturados e misturados à refeição. Para os mais resistentes, também pode ser interessante reduzir a quantidade de vegetais, para que não se destaquem tanto: até 2,5–3% na AN de gatos e 15% na de cães.
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Sylvia Angélico
Médica Veterinária
pós-graduada em Nutrição Animal
CRMV-SP 29945
Comunicado Cachorro Verde
As informações divulgadas em nossas postagens possuem caráter exclusivamente educativo e não substituem as recomendações do médico-veterinário do seu cão ou gato. Por questões ético-profissionais, a Dra. Sylvia Angélico não pode responder certas dúvidas específicas sobre questões médicas do seu animal ou fazer recomendações para seu pet fora do âmbito de uma consulta personalizada. Protocolos de tratamento devem sempre ser elaborados e acompanhados pelo médico-veterinário de sua confiança.
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