Atendendo a pedidos, vamos falar sobre uma condição conhecida como Complexo das Doenças Respiratórias Infecciosas Caninas (CDRIC), popularmente chamada de Tosse dos Canis.

Trata-se de uma ocorrência relativamente comum quando o clima esfria — e, na verdade, até quando esquenta também. Ela costuma aparecer justamente nas mudanças de estação. E que tosse feia ela provoca! Alta, seca, bem “de cachorro” mesmo. Você já ouviu?
Leia o artigo abaixo e aprenda o que é a tosse dos canis, quais são seus sintomas, como é feito o tratamento, qual é o prognóstico e como preveni-la.
Compartilhe com amigos que vivem em regiões onde as estações do ano são mais marcadas.

O que é e o que a causa?
A tosse dos canis é uma doença altamente contagiosa que acomete o trato respiratório dos cães. Ela não é transmissível aos gatos nem aos seres humanos.
Diversos agentes infecciosos podem causá-la. Os mais comuns são a bactéria Bordetella bronchiseptica e o vírus da Parainfluenza canina, mas também podem estar envolvidos o Adenovírus canino tipo 2, bactérias do gênero Mycoplasma, o coronavírus respiratório canino e o pneumovírus canino.
É uma doença geralmente sazonal, aparecendo com maior frequência durante as mudanças de clima, especialmente na entrada do verão e do inverno.
Quais são os sinais clínicos?
O sinal mais característico é uma tosse seca, alta e de início repentino, frequentemente terminando em ânsia de vômito. Também pode haver secreção ocular e nasal.
Apesar de causar uma tosse feia, a doença costuma ter bom prognóstico. Na maioria dos casos, o quadro se resolve sozinho em cerca de quatro dias a duas semanas.
Entretanto, em cães idosos, imunossuprimidos ou debilitados, o quadro pode evoluir para broncopneumonia. Nesses casos, pode aparecer febre, inapetência e prostração, tornando a doença potencialmente mais grave.
Tratamento
As formas leves da doença — felizmente as mais comuns — muitas vezes sequer necessitam de tratamento.
Dependendo do desconforto do paciente, porém, a médica-veterinária poderá instituir um tratamento de suporte, com medidas para fluidificar o muco, facilitar a expectoração e suavizar a tosse.
Repouso, boa hidratação e evitar exposição ao frio também fazem parte do tratamento.

Transmissão
Por ser altamente contagiosa, a tosse dos canis encontra condições ideais para se espalhar em locais com grande concentração de cães, como hotéis, creches, competições de agility e exposições. É justamente por isso que esses estabelecimentos costumam pedir a vacinação contra a doença.
A transmissão também pode ocorrer pelo compartilhamento de objetos, como comedouros, brinquedos e bebedouros.
Cães sintomáticos devem permanecer isolados de outros cães por, no mínimo, 15 dias.
Vacinação
Como a doença geralmente apresenta bom prognóstico e costuma ser autolimitante, a vacina contra a tosse dos canis é considerada não essencial por entidades como a WSAVA.
Ainda assim, sua aplicação pode ser bastante interessante em determinadas situações, como para cães que frequentam locais com grande concentração de animais, possuem histórico de doenças respiratórias, são idosos ou apresentam imunossupressão.
A vacina não impede totalmente a infecção, mas pode reduzir a intensidade dos sinais clínicos, abreviar a duração da doença e diminuir o risco de evolução para pneumonia.
Intranasal ou injetável?
Existem vacinas intranasais e vacinas injetáveis.
Na minha opinião, a versão intranasal apresenta vantagens por atuar diretamente na principal porta de entrada dos agentes infecciosos.
Sempre que possível, escolha uma vacina intranasal que ofereça proteção contra o maior número de agentes, e não apenas contra Bordetella bronchiseptica.
Ainda não se conhece exatamente por quanto tempo dura a proteção dessas vacinas. Por isso, quando a vacinação é indicada, recomenda-se reforço anual, preferencialmente algumas semanas antes da chegada do outono ou do inverno.

Curiosidade
A imunidade materna adquirida por meio do colostro ajuda a reduzir a severidade dos sinais clínicos das viroses envolvidas na tosse dos canis, embora não impeça a infecção. É mais um motivo para valorizarmos a importância da ingestão de colostro pelos filhotes.
Condutas naturais
Cerca de três semanas antes da chegada do verão e também do outono/inverno, vale a pena adotar medidas que fortaleçam as defesas do organismo.
As minhas favoritas são o própolis verde, o colostro e os cogumelos. Eles podem ser utilizados em conjunto ou individualmente.
Em relação ao própolis verde, prefira a versão não alcoólica, encontrada em farmácias humanas. Costumo sugerir a dose de uma gota por quilo de peso corporal, uma vez ao dia, misturada ao alimento.
Aqui em casa utilizamos o Super Colostro da Collum para pets, seguindo a posologia recomendada pelo fabricante. Apenas evite seu uso caso o cachorro apresente sensibilidade conhecida a lácteos.
Também gosto de incluir cogumelos culinários cozidos e triturados — qualquer espécie própria para consumo humano — representando cerca de 5 a 10% da porção de vegetais da dieta. Outra possibilidade é utilizar cogumelos medicinais em pó, como o Cordyceps militaris, da Cogumelo Pet.
Essas estratégias também podem ser mantidas como tratamento complementar, contribuindo para abreviar os sintomas e o curso da doença.

Sylvia Angélico
Médica Veterinária
pós-graduada em Nutrição Animal
CRMV-SP 29945
Comunicado Cachorro Verde
As informações divulgadas em nossas postagens possuem caráter exclusivamente educativo e não substituem as recomendações do médico-veterinário do seu cão ou gato. Por questões ético-profissionais, a Dra. Sylvia Angélico não pode responder certas dúvidas específicas sobre questões médicas do seu animal ou fazer recomendações para seu pet fora do âmbito de uma consulta personalizada. Protocolos de tratamento devem sempre ser elaborados e acompanhados pelo médico-veterinário de sua confiança.
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