Dividir a vida com um animal é uma alegria e um prazer sem tamanho — mas também envolve aprender habilidades práticas que fazem um mundo de diferença para a saúde e o bem-estar deles.

Saber avaliar o escore corporal do pet, ajustar a dieta quando o peso muda, remediar os piriris ocasionais, estimular e celebrar comportamentos naturais, cuidar da boca, preparar petiscos, fuçar a pele e administrar medicamentos… tudo isso torna o tutor mais independente, mais atento e mais capaz de prevenir problemas.
Neste post reuni competências simples que considero super valiosas no dia-a-dia com cães e gatos. Nenhuma delas exige superpoderes — apenas observação, informação de qualidade e um pouco de prática.
Confira se você já domina todas ou se ainda há alguma nova habilidade para incorporar na rotina com seu peludo.

Saber avaliar o “shape”

Um estudo brasileiro (Teixeira et al., 2020) verificou que 61% dos responsáveis por cães discordavam do escore corporal atribuído aos seus animais pelo veterinário. Esses tutores percebiam cães obesos como estando apenas com sobrepeso ou consideravam magros demais aqueles em condição corporal saudável. Isso é preocupante, pois o excesso de peso está associado a inúmeras doenças evitáveis e também à redução da expectativa de vida dos pets. Treine seus olhos para identificar a cintura e seu tato para reconhecer depósitos de gordura na base do pescoço, da cauda e na região abdominal do seu peludo. Torne-se expert em shape canino/felino aqui

Ajustar a dieta se houver ganho/perda de peso

Essa habilidade anda de mãos dadas com a anterior: saber avaliar o escore corporal do pet. Notou que seu gato ficou mais fininho depois da chegada de um filhote com quem ele brinca o dia todo? Ou que seu cão perdeu a cinturinha quando parou de frequentar a creche? Mudanças na rotina que alteram o gasto energético pedem ajustes na dieta — o mesmo vale para momentos como castração ou mudança de faixa etária. Em geral, animais jovens precisam de mais energia que os sêniores. Nesses casos, reduza ou aumente em cerca de 10–15% a quantidade diária de alimento (ou ajuste os ingredientes para opções mais ou menos calóricas) e reavalie o peso e o escore corporal após duas semanas.

Saber remediar piriris ocasionais

Os cachorros, mais que os gatos, com frequência apresentam fezes amolecidas, seja porque comeram alguma coisa do lixo ou na rua durante o passeio, roubaram comida sobre a mesa, ganharam petiscos em excesso ou por estresse. Episódios assim podem geralmente ser manejados em casa e costumam passar em alguns dias sem complicações. Administrar probióticos (adoro os à base de Saccaromyces boulardii, como o Repoflor ou Floratil), carvão ativado e oferecer caldo de ossos como único alimento ou uma dieta leve por 24h, costuma dar cabo do problema. Mas, claro, se o quadro piorar, a veterinária de confiança deve ser consultada.

Proporcionar estímulo diário

Se seu cão ou gato vivesse de forma autônoma, alternaria cochilos com vigorosas caçadas e exploração do território. Tem gato? Gatifique o ambiente com prateleiras, tocas e arranhadores e veja se ele curte catnip (erva-do-gato) esfregada nos brinquedos. Dedique pelo menos 15–20 minutinhos por dia para estimular seu bichano a caçar varinhas, ratinhos ou bolinhas. Tem cachorro? Ofereça regularmente algo seguro para ele roer ou mastigar, faça passeios diários e seja criativo na hora de servir as refeições. Veja ideias aqui — é ponto para a digestão, a saúde endócrina e o sistema imunológico.

Preparar um bom caldo de ossos

Hoje existem várias empresas que comercializam caldo de ossos — e isso é uma mão na roda; eu mesma sempre tenho alguns de prontidão. Ainda assim, saber preparar um caldo cheiroso com um frango caipira inteiro, ou outro animal que seu pet tolere, acrescentando ingredientes funcionais, não tem igual. O caldo aumenta a ingestão hídrica, auxilia no reparo da mucosa intestinal, favorece os processos de destoxificação, o sistema nervoso e as articulações, além de reduzir desconfortos digestivos e estimular o apetite. É excelente para idosos e convalescentes e ainda rende um petisco nutritivo e pouco calórico para o enriquecimento ambiental. Ah! E não gasta tanto gás quanto parece. Aprenda a preparar aqui.

Preparar petiscos em casa

Grande parte dos bifinhos à venda no Brasil são uma gororoba de aditivos (conservantes, corantes, umectantes, flavorizantes) e matéria-prima de qualidade duvidosa. Da mesma forma, boa parte dos biscoitos contêm farinhas que considero alergênicas, como trigo e milho, além de açúcar e aditivos. Sempre confira a composição, pois já temos no mercado petiscos de composição saudável. E por que não oferecer opções como pedaços de frutas, ovo de codorna, iogurte natural e biscoitos preparados em casa? Inspire-se nas nossas receitas.

Administrar pílulas/cápsulas

É muito importante conseguir administrar tratamentos por via oral aos pets, mesmo porque com a idade costumam surgir quadros que requerem manejo diário. A dieta natural, sendo úmida e macia, é ótima para camuflar medicações. Pode-se colocar a cápsula inteira em uma bolinha de carne, de banana, de ovo cozido ou bezuntar com um pouco de cottage, ricota ou manteiga. Alguns cães permitem que os tutores insiram o comprimido no fundo de suas gargantas. Para os gatos e cães pequeninos, quando possível, abra a cápsula e misture a algo saudável que eles adoram ou utilize um aplicador de comprimidos à venda em lojas como o Mercado Livre.

Proporcionar xixis frequentes

Cães que vivem em apartamento e só fazem xixi na rua precisam ser levados no mínimo três ao longo do dia para se aliviarem – o mais recomendado seriam 4 vezes. Reter a urina por mais de 6h durante o dia é um mega fator de risco para a formação de cálculos urinários. Já os gatos requerem caixas sanitárias limpas (2x ao dia), em número suficiente para o número de felinos com granulado de sua preferência e localizados em ambientes acessíveis e tranquilos.

Proporcionar um passeio nota 10

Passeios, se possível, diários, são inestimáveis para o equilíbrio físico e emocional de um cachorro. Mas pense no passeio como um momento para seu cão, não para você. Esteja presente, evite usar o celular, e considere as vontades dele. Que caminho ele prefere fazer? O que ele deseja cheirar? Eles têm em geral tão pouca autonomia na nossa rotina urbana que é bacana deixá-los decidir o que explorar, onde fazer as necessidades e quanto tempo passar farejando algo. Sempre de coleira/peitoral e guia e com saquinhos para recolher o número 2, hein? Invista em passeios conscientes e observe comportamentos como lambedura de patas e coceiras reduzirem.

Saber remover carrapato

Quer prevenir as temidas “doenças do carrapato”? Então inspecione regularmente e com atenção a pele do seu peludo, especialmente após trilhas ou passeios em parques e praças. A transmissão de patógenos costuma levar entre um e dois dias após a fixação do carrapato, portanto encontrá-lo cedo faz toda a diferença. Para removê-lo, use uma pinça e segure-o o mais próximo possível da pele, pela cabeça (não pelo corpo), puxando lenta e firmemente, em linha reta e sem torcer, para retirar todo o aparelho bucal. Depois, desinfete o local com clorexidina. Aproveite para fazer uma inspeção semanal completa, procurando por pulgas, carrapatos, calombos, lesões, inchaços ou secreções.

Cuidar da boca

A placa bacteriana que resulta do consumo de alimentos leva dois a três dias para se solidificar e virar tártaro. Habitue seu pet a ter seus dentes escovados, se possível, 1x vez ao dia. Aqui uso gaze envolta no meu dedo, uma mistura de alga Plaque-off e óleo de côco, e pedacinhos bem pequenos de petiscos, para escovar as faces interna e externa dos dentes da Zuri. A oferta regular e supervisionada de ossos naturais adequados, mordedores e brinquedos também contribui enormemente. Manter a boca saudável evita inflamação sistêmica, mal hálito, perda de dentes e retarda a necessidade de profilaxia dentária profissional. Veja mais aqui.

Saber preparar a dieta do peludo

Saber preparar uma refeição caseira para o seu pet significa entender melhor o que ele está comendo. Quando o tutor escolhe os ingredientes e aprende a equilibrar a dieta, consegue oferecer alimentos frescos, variados e de qualidade, além de reduzir a dependência de produtos ultraprocessados.
Isso também permite adaptar a alimentação às necessidades do animal ao longo da vida. Filhotes, adultos e idosos têm demandas diferentes, e problemas de saúde muitas vezes exigem ajustes na dieta. Quanto mais o tutor compreende a comida do seu pet, mais autonomia ele tem para cuidar da saúde dele no dia a dia.

Estudar e se aprofundar

Uma forma segura de desenvolver essas habilidades é estudar com orientação adequada. Nos cursos de alimentação natural do Cachorro Verde, o tutor aprende os princípios que garantem uma dieta equilibrada, entendendo como escolher ingredientes, variar os alimentos e evitar erros comuns. Os cursos foram pensados especialmente para tutores, com explicações claras e passo a passo. Assim, você aprende a preparar refeições caseiras completas para cães e gatos com mais segurança, confiança e consciência sobre o que está oferecendo ao seu pet.

Sylvia Angélico
Médica Veterinária
pós-graduada em Nutrição Animal
CRMV-SP 29945

Comunicado Cachorro Verde

As informações divulgadas em nossas postagens possuem caráter exclusivamente educativo e não substituem as recomendações do médico-veterinário do seu cão ou gato. Por questões ético-profissionais, a Dra. Sylvia Angélico não pode responder certas dúvidas específicas sobre questões médicas do seu animal ou fazer recomendações para seu pet fora do âmbito de uma consulta personalizada. Protocolos de tratamento devem sempre ser elaborados e acompanhados pelo médico-veterinário de sua confiança.

Obrigada por acompanhar os canais do Cachorro Verde!