Nós do Cachorro Verde entendemos que a Alimentação Natural (AN) do seu gato ou cachorro pode ser crua, cozida ou combinar alimentos crus e cozidos — conforme o gosto e a tolerância digestiva do peludo e a preferência da tutora.

Aqui em casa, por exemplo, o que tem funcionado com nossa turminha animal é uma dieta com carnes e vísceras cruas para a Zuri, acompanhadas de vegetais e carboidratos cozidos. Os meus gatos, Lenù e Frajola, comem AN 100% crua. Já a Juju, gatinha da minha sócia, a Vanessa, prefere a versão totalmente cozida.

O único grupo de alimentos que não tem negociação são as fontes de carboidratos — como batata-doce, mandioquinha, mandioca, inhame, cará, batata inglesa, arroz, quinoa, aveia em flocos, cevadinha e leguminosas, como grão de bico e lentilha. Crus, esses alimentos não são digeridos adequadamente e podem até fazer mal. É importante cozinhá-los até ficarem macios.

Com os vegetais, a coisa é mais flexível. A maioria pode ser oferecida crua, desde que processada ou triturada, já que as paredes de celulose íntegras dificultam a digestão de cães e gatos. Ralar não é suficiente — para uma melhor digestão e absorção de nutrientes, prefira processar. As exceções, que recomendo cozinhar, são abóbora, berinjela, quiabo, vagem, aspargos, cogumelos, espinafre e ervilhas. Todos os vegetais podem ser servidos cozidos. Se ficarem al dente, é importante triturar, ou podem sair intactos nas fezes, sinal de que não foram digeridos. Outra opção é cozinhar até que fiquem macios e servir em cubinhos, amassados com garfo ou processados. Um bom termômetro é observar o cocô do pet: casquinhas e pequenos resíduos são normais, mas pedaços inteiros não. Se isso acontecer, cozinhe mais e/ou triture melhor.

Mas como cozinhar? Vale qualquer método? Qual forma preserva melhor os nutrientes e minimiza a formação de compostos prejudiciais? Confira a seguir.

Métodos e métodos

A forma de cozinhar muda a digestibilidade, o valor nutricional e até a segurança dos alimentos. Alguns métodos preservam melhor elementos mais dellicados, como vitaminas, antioxidantes e ácidos graxos, enquanto outros favorecem a formação de compostos indesejáveis, como os AGEs (produtos de glicação avançada).

AGEs, acrilamidas, HAPS e aminas heterocíclicas

Durante o cozimento, especialmente em altas temperaturas e métodos “secos” como fritar, grelhar ou assar, podem se formar compostos potencialmente nocivos à saúde. Entre eles estão os AGEs (produtos finais de glicação avançada), ligados à inflamação e envelhecimento celular; as acrilamidas, formadas em alimentos ricos em amido e associadas à toxicidade e risco carcinogênico; e os HAPs (hidrocarbonetos aromáticos policíclicos) e aminas heterocíclicas, que surgem principalmente em carnes tostadas e também têm potencial cancerígeno. Métodos úmidos e suaves, como vapor, fervura ou cozimento lento, reduzem muito a formação desses compostos.

Cozimento em água (panela comum ou elétrica)

Simples, intuitivo e ótimo para todos os grupos de alimentos que podem compôr a AN: carnes, vísceras, tubérculos, cereais e vegetais. Em panela com pouca água adicione o alimento cortado em cubinhos e cozinhe em temperatura média até estar ao ponto – carnes e vísceras – ou macios para tubérculos, cereais e vegetais. Importante: como parte das vitaminas hidrossolúveis (B e C) migram para a água, então é importante reintegrá-las nas porções, ou servir à parte, como petisco, por exemplo, congelado em gelinhos, se possível.

E a panela de pressão?

Por exercer pressão e atuar em altas temperaturas acarreta perda um pouco maior de vitaminas sensíveis ao calor. Se optar por esse método, controle a exposição para o tempo mínimo para a cocção adequada – sem deixar a carne desmanchando – e reaproveite o caldo do cozimento para reintegrar as vitaminas. Gosto de indicar o cozimento em panela de pressão para a mandioca (aipim), que é desafiadoira de cozinhar de forma homogênea em panela comum.

Cozimento a vapor

Meu método queridinho! Mantém textura, cor e nutrientes — especialmente vitaminas e antioxidantes. Cozinha rápido, de forma homogênea e com mínima formação de compostos nocivos. Ainda permite preparar todos os grupos de alimentos sem misturá-los: basta dividir a cesta em quatro quadrantes e colocar em cada um os tubérculos (se a dieta incluir carboidratos), vegetais, carnes e vísceras, já cortados. Em poucos minutos, tudo está pronto, cozido na medida certa e separado, o que facilita a pesagem e o porcionamento das marmitinhas.

Forno e AirFryer

Se preferir assar carnes, peixes, tubérculos e vegetais em forno ou AirFryer, prefira temperaturas moderadas (140–160 °C), cubra o refratário com o alimento no forno e evite deixar o alimento ressecar ou escurecer, para reduzir a formação de AGEs e acrilamidas, asociados à oxidação de gorduras e perda de aminoácidos essenciais.

Frigideira e grelha

Se possível, evite. O contato direto com o metal quente pode produzir aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), especialmente em carnes. Prefira selar levemente e finalizar empregando algum método de cozimento úmido.

Tipos de panela

Para cozinhar alimentos com mais segurança, opções interessantes incluem:

  • Vidro Temperado: não libera metais ou substâncias químicas, retém bem o calor e é fácil de limpar
  • Cerâmica 100% (não apenas o revestimento): material totalmente inócuo.
  • Aço Inoxidável Tipo 316: excelente resistência à corrosão, libera menos níquel e cromo, durável e fácil de limpar.

Evite materiais como Teflon, alumínio e revestimentos de granito ou mármore, podem liberar substâncias tóxicas prejudiciais à saúde.

Resumindo

  • Cozinhar em água é simples e seguro, mas parte das vitaminas hidrossolúveis se perde — use sempre o caldo!
  • Cozinhar a vapor preserva melhor nutrientes, com baixíssima formação de toxinas.
  • Assar (forno/airfryer) é prático, mas exige cuidado: temperaturas muito altas oxidam gorduras e formam compostos indesejáveis.
  • Grelhar ou fritar não são boas opções para o dia a dia — além de reduzir a biodisponibilidade de alguns nutrientes, podem formar aminas heterocíclicas e HAPs.

Use temperaturas moderadas, prefira métodos úmidos e mantenha o alimento suculento. Lembre-se de que no início, enquanto você se familiariza com o método de cocção, deve checar regularmente a comida.

Vem aí

No próximo post, vamos compartilhar recomendações sobre o tempo de cozimento para cada grupo de alimentos — não perca!

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Sylvia Angélico
Médica Veterinária
pós-graduada em Nutrição Animal
CRMV-SP 29945

Comunicado Cachorro Verde

As informações divulgadas em nossas postagens possuem caráter exclusivamente educativo e não substituem as recomendações do médico-veterinário do seu cão ou gato. Por questões ético-profissionais, a Dra. Sylvia Angélico não pode responder certas dúvidas específicas sobre questões médicas do seu animal ou fazer recomendações para seu pet fora do âmbito de uma consulta personalizada. Protocolos de tratamento devem sempre ser elaborados e acompanhados pelo médico-veterinário de sua confiança.

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