Iniciando um gato na dieta natural

Gatos podem comer os mesmos alimentos crus que os cães, apenas em porções menores e sempre frescos. Eles podem comer faisão, galinha, codorna, cordeiro, carne bovina, carne suína, peru, pato, peixe, carne caprina, coelho, rato, camundongo, ovos e miúdos diversos. Assim como fazemos com os cães, devemos tentar recriar a presa inteira que seu gato comeria na natureza. Isso significa ofertar carne, miúdos e purê de vegetais frescos. Para fazê-lo aprender a gostar de miúdos, vale passar neles um caldinho de sardinha em lata ou misturar com outra carne da preferência dele.

Quando for alimentar seu gato, lembre-se de que a comida precisa estar a) fresca, e b) morna. A maioria dos gatos não tolera alimentos congelados ou frios. Eles são comedores de carne fresca e, na natureza, podem detectar o frescor e qualidade da carne por sua temperatura. Carne fria é sinal de animal morto já há algum tempo e, portanto, de carne não fresca, possivelmente contaminada. A maneira mais fácil de descongelar ou aquecer pedaços de asa ou pescoço de frango é colocar essas peças dentro de um saco e deixá-lo boiando dentro de uma vasilha com água tépida/morna (não quente) por 10 minutos. NUNCA coloque um pedaço de carne com osso no microondas para descongelar! O poder do microondas é muitas vezes subestimado e a peça acaba sendo parcialmente cozida durante o processo de descongelamento se as pessoas não tomarem cuidado. Isso pode alterar a composição do osso e torná-lo perigoso para ingestão. Em segundo lugar, microondas geralmente esquentam os alimentos de forma irregular, o que pode resultar em carne com bolsões de calor intercalados com áreas geladas. Para felinos frescos isso pode fazê-los criar aversão por alimentos crus.

A maneira mais fácil de preparar a comida do seu gato é remover a porção do freezer na noite anterior, deixar descongelando na geladeira durante a noite e antes de servir aquecer levemente usando a vasilha de água morna que citei anteriormente. Enquanto espera a carne terminar de descongelar e aquecer, vá cuidar de alguma tarefa. Mas tome cuidado com os felinos mais impacientes. Alguns gatos podem ser atrevidos e pularem sobre a pia, agarrarem o saquinho com os dentes, arrastá-lo até o chão e rasgá-lo para tirar a carne de dentro.

Quantidade e freqüência

Filhotes devem ser alimentados em porções bem pequenas várias vezes ao dia. À medida que o gatinho cresce, espace as refeições até chegar a duas por dia. Você pode continuar alimentando seu gato duas vezes ao dia ou trocar para uma vez ao dia. Depende do seu gato e da sua preferência. Eu costumo alternar entre alimentar uma vez e alimentar duas vezes ao dia; depende do alimento que tenho disponível para o gato. Em alguns dias dou um pouco de coração e fígado bovino no café da manhã e no jantar dou uma asa de frango. Na maioria das vezes, contudo, somente alimento à noite.

Alimente gatos com uma quantidade de comida equivalente a 4-6% do seu peso corporal. Como a maioria dos gatos é de pequeno porte, essa quantidade tende a ser por volta de 200g ou menos. Costumo pensar na comida dos meus gatos em termos de quanto cabe de alimento em suas barriguinhas. Minha gata come por dia no máximo meio peito de frango com uma asa anexa. Essa peça é uma polegada maior do que a palma da minha mão aberta e é suficiente para deixar a barriga dela completamente cheia e até um pouco distendida. Ela come a maior parte de uma só vez e deixa um pedaço para comer mais tarde, daqui a uma hora.

Não ofereço essa quantidade todos os dias; tendo comido tudo isso, no dia seguinte ela receberá uma refeição menor – talvez uma coxa de frango ou uma porção de coração e fígado bovino.

O melhor a fazer é monitorar o peso e formato do corpo do gato. Se ele começar a parecer muito magro, com as costelas aparentes, aumente a quantidade de comida. Se estiver ficando meio roliço, diminua o volume das porções. Em pouco tempo, você descobrirá quanto seu gato precisa comer para se manter no peso ideal. Alguns gatos comem somente o que precisam, deixando o restante das refeições uma vez que estejam satisfeitos. Outros gatos, glutões, nunca deixam nada no prato. Esses últimos você precisará monitorar.

Onde alimentar e outras logísticas

Você pode alimentar o gato onde quiser. Na cozinha, em cima da máquina de lavar, no banheiro, no quintal, etc. Você pode alimentá-lo usando uma tigela – embora minha gata pegue a asa de frango para comer fora do prato. Minha preferência pessoal é alimentar sobre um tapete plástico (tipo um jogo americano) que separei somente para esse fim. Assim o gato arrasta a peça de carne com osso para essa plataforma. Isso evita que o chão fique sujo e torna o local da refeição de fácil limpeza. A vasilha dela é útil para mim. Uso-a para misturar um ovo para ela ou para servir um pouco de sardinha em lata de vez em quando. Já peguei minha gata tirando proveito da vasilha ao comer um meaty bone de formato inconveniente. Ela posiciona a peça de modo a deixar metade dela para fora e assim pode mastigar a parte que aponta para o ar, fora da vasilha. Mas, basicamente, onde você alimenta, que tipo de vasilha/pratinho/tigela você usa e os ingredientes oferecidos dependem de você e do gato.

Mantenha sempre água à disposição do seu gato. Você provavelmente notará que, comendo uma dieta natural, o gato beberá muito menos água do que antes. Isso é normal, já que a comida crua contém muita água. Troque a água diariamente.

Gatos difíceis

Recomendo a qualquer um que entre para a lista de discussão RawCat, do Yahoo e que visite o site www.rawfedcats.org para obter ótimas informações sobre alimentação crua para gatos. Alguns gatos podem ser notoriamente difíceis de trocar devido à sua natureza seletiva e também por estarem habituados à dieta anterior. Alguns gatos mais velhos preferem a alimentação antiga à carne crua, mesmo depois de estarem comendo a nova dieta há um tempo.

Gatos idosos

Trocar a dieta de gatos velhinhos pode ser complicado, dependendo do gato e de quanto tempo faz que ele vem comendo a dieta anterior. Mas há várias maneiras de tentar a troca.

Em primeiro lugar, se você criou seu gato com alimento à disposição o dia (e a noite) inteira, corte esse hábito imediatamente. Coloque seu gato em uma rotina de duas refeições por dia, oferecendo o alimento em dois horários apenas (por exemplo, de manhã e à noite) por 15 minutos. Comece diminuindo para três refeições por dia e depois corte para duas. Chacoalhe o pote no horário em que for oferecer a refeição e chame-o para que ele coma e não fique de estômago vazio esperando a próxima refeição. No começo ele poderá miar pedindo a volta a dieta anterior  que ficava à disposição dele – mas resista. É muito mais fácil mudar a dieta de um gato com horários pré-determinados para comer.

Veja se seu gato aceita pedacinhos de peito de frango cru como petisco. Corte os pedacinhos bem pequenininhos, Se ele aceitar, ótimo. No dia seguinte você já pode começar com ele da maneira como ensinei para fazer com o gatinho filhote.

Se seu gato come pedaços de carne crua como petisco, mas não como refeição, talvez você precise oferecer a ele uma “refeição” de pedacinhos de frango cru primeiro e depois uma refeição com a dieta anterior. A medida que o gosto e a tolerância dele para alimentos crus aumentar, ofereça quantidades maiores de carne crua e diminua a quantidade de da dieta anterior. Logo, ofereça apenas carne crua em cada refeição, e parta para refeições com alimentos crus mais detalhados, tal como especifiquei para o filhote. É importante se livrar de qualquer traço da alimentação de antes (ex: pacotes) para que o gato não veja e nem sinta o cheiro e perca mais rápido possível qualquer vínculo com a alimentação de antes. Mantenha no armário uma ou duas latas de atum para caso o gato decida sair da dieta crua. Misturando um pouco de carne ou caldinho de atum, você ajuda a tornar os alimentos crus apetitosos novamente. Mas lembre-se de sempre manter uma certa quantidade de carne crua quando usar esse artifício.

Se o gato passar a rejeitar alimentos crus e não apresentar motivo óbvio para fazê-lo (por exemplo, resfriado, dor), passe a dar uma refeição ao invés de duas. Se ele não quiser a comida crua da próxima vez que você a oferecer, tente pingar um pouco de caldinho de atum. Se mesmo assim ele não quiser, tente misturar um pouco de atum com a carne crua. Se ele ainda não quiser comer e já fizer 24 horas desde a última refeição dele, você precisará comprar uma latinha de alimento comercial de boa qualidade a fim de que ele coma alguma coisa. Mas não dê somente esse alimento; junte a carne crua e misture tudo. Assim ele continua com a nutrição e a textura da comida fresca. Tente fazê-lo voltar para a dieta crua o mais depressa possível. Às vezes, basta mudar a fonte de proteína e pronto. Os gatos podem enjoar de frango e querer algo diferente.

Recusas

E se o seu gato não quer comer carne crua de jeito nenhum? Primeiro, mude seu gato para uma alimento úmido, de lata. Comece misturando um pouco deste produto da latinha à ração seca dele e depois vá reduzindo a quantidade de ração seca e aumentando o volume da outra, até que ele esteja comendo apenas a ração úmida. Depois, misture a comida úmida com a carne crua. Misture nela um pouco de peito de frango cortado, e gradativamente aumente a quantidade de comida crua até que o gato tenha somente frango cru para comer. Depois aumente o tamanho dos pedaços para que ele aprenda a comer um pedaço inteiro de frango cru. A partir desse momento, comece introduzindo gradativamente outras peças de frango, e talvez outras fontes de proteína, como carne suína e introduza um meaty bone. Você pode esmagar o meaty bone com um martelo para ajudar a quebrar um pouco os ossos no começo – assim pode ficar um pouco mais fácil para o gato.

Ossos

Alguns gatos repudiam ossos. Ossos são uma parte absolutamente necessária para uma dieta crua, pois proporcionam cálcio e outros minerais e ajudam na limpeza dos dentes. Osso moído ou pó de casca de ovo – assim como suplementos – podem oferecer cálcio aos gatos que se recusam a mastigar e ingerir ossos. Mas o ideal mesmo seria insistir para que o gato aprenda a comer meaty bones. De qualquer maneira, antes de oferecer ossos, verifique a boca do seu gato. Certifique-se de que não há dentes quebrados e sensibilizados pela dieta anterior.

Yoshi Yoshi
Yoshi, meu SRD, comendo carne crua pela primeira vez

As regras:

  • Gatos devem ser alimentados com uma variedade de carnes cruas e meaty bones. Oferecer apenas uma fonte de carne não é bom – o gato não obterá todos os nutrientes. Pedaços menos nobres, com tecido conjuntivo e um pouco de gordura são muito melhores do que carne pura.
  • Para cada 90 a 95 gramas de carne que você oferecer, acrescente de 5 a 10 gramas de purê de vegetais crus. Os gatos evitam comer vegetais a todo custo, mas você pode passar o purêzinho na carne de modo que o gato não terá como separá-la do resto e acabará comendo tudo junto.
  • Quantidade: ofereça quantidades próximas às que você oferecia de ração úmida ou 1.5 vezes o volume de ração seca que ele comia antes.
  • Ofereça asas de frango cruas uma ou duas vezes ao dia. Asas de frango cruas são facilmente mastigadas e digeridas. É muito improvável, mas não impossível, que os ossos fiquem presos no intestino. Se você não der ossos, contudo, os dentes do gato não serão limpos e ele com certeza precisará passar por uma cirurgia com anestesia geral para limpá-los.
  • Caso não se sinta seguro em oferecer ossos inteiros, peça para o açougueiro moer peças como asas de frango ou pescoço de frango. Essa opção, no entanto, não limpa os dentes.
  • Ofereça vísceras (rim, coração, pulmão ou fígado) uma vez por semana no lugar da carne. Lembre-se: na natureza, as presas abatidas contêm vísceras e carne. É uma parte necessária de uma dieta balanceada. Varie esses miúdos semanalmente.
  • Não ofereça cereais crus – apenas cozidos e, mesmo assim, evite-os.
  • Para fazer os purês, escolha quaisquer legumes ou verduras (folhas verdes são opções muito nutritivas), frutas e saladas e bata um ou dois desses itens no liquidificador. O importante é variar semanalmente. Bata até virar um purê, se necessário, acrescente um pouco de água para ficar mais líquido. Espalhe na carne na proporção de 9-9.5 de carne para 1-1.5 de purê.

Quebrando as regras

  • Se você não se sente bem oferecendo carne crua, tente cozinhá-la levemente com azeite de oliva.
  • Purês de vegetais duram 48 horas na geladeira, então se você decidir fazer os purês na hora, você precisará bater legumes para fazer purês três vezes por semana. Apenas se lembre que após a liquidificação, os purês perdem muito dos seus nutrientes. Para evitar ou mesmo minimizar essa perda, bata os purês e coloque-os nos espaços para gelo de uma bandeja de gelos vazia e ponha para congelar. Deste modo, você consegue tirar a quantidade que precisa todo dia.

Receios

Algumas autoridades estão preocupadas com a alimentação de gatos com carne crua. Eles afirmam, sem nenhuma boa justificativa, que esse hábito pode levar os gatos à infecção com patógenos transmissíveis às pessoas. Acredito que os gatos são capazes de lidar com um nível baixo de contaminação em seus alimentos. Acredito que eles podem comer alimentos crus sem impor maiores riscos à saúde humana. Até porque se um gato é regularmente alimentado com uma dieta crua, acredito que ele será mais saudável e melhor preparado para lidar com patógenos.

Dr. Nick Thompson - www.ukbarfclub.co.uk | Traduzido e adaptado por Sylvia Angélico

Publicado em 22 de junho de 2008 por Sylvia Angélico
 
 

Roteiro de adaptação para gatos

 
Aqui está um roteiro básico para passar gatos adultos e saudáveis para a dieta natural. Desenvolvi esse passo-a-passo partindo do princípio que você leu o texto do Dr. Thompson (no final da página), muito mais completo e abrangente. Mas fica aqui uma referência organizada e objetiva dos principais pontos propostos no post anterior. Em princípio este é o modelo que vamos seguir com nossos gatinhos. E por enquanto estamos no primeiro passo.

1- Mudando a rotina
Se seu gato é alimentado com ração seca à vontade, corte esse hábito, pois é infinitamente mais fácil mudar a dieta para alimentação crua se o gato estiver acostumado a comer em horários pré-determinados. Comece retirando a ração e oferecendo-a, por exemplo, das 7:00 às 8:00 da manhã, das 14:00 às 15:00 da tarde e das 20:00 às 21:00 da noite. Resista aos miados pedindo que você volte a disponibilizar a comida 24 horas por dia. Gatos não precisam beliscar o dia todo, eles podem sim ter horário para comer, assim como os cães. Habitue-se a sacudir o pote de ração e a chamar o gato para que ele fique atento e não pule refeições. Faça isso por uma semana.

2- Estabelecendo a rotina
Após esse período, diminua a quantidade de refeições para duas por dia, nos horários de sua conveniência e de mais fome do gato. Lembre-se de deixar a comida disponível apenas por uma hora a cada vez. Faça isso por alguns dias.

3- Ração úmida
Compre uma latinha de ração úmida para gatos considerada de boa qualidade e misture um pouco dessa ração à ração seca que ele vinha comendo, gradativamente. Vá aumentando a quantidade do novo alimento e reduzindo o volume da ração anterior. O ideal é que você demore uma semana até que o gato esteja recebendo somente a ração úmida.

4- Introduzindo carnes cruas
Compre um pouco de peito de frango (de preferência orgânico, sem promotores de crescimento ou antibióticos) moído, de boa procedência. É importantíssimo que essa carne esteja fresca, pois gatos não toleram carne meio “passada”. Chegando em casa, lave bem a carne e desinfete-a com um pouco de vinagre de maçã, tomando o cuidado de retirá-lo bem da carne. Se a carne estiver fria ou gelada, coloque-a dentro de um saquinho plástico e deixe o saco boiando em uma vasilha com água morna (não quente) por uns 10 minutos, pois os felinos costumam rejeitar carne fria. Ofereça um pouquinho da carne moída ao gato em um horário em que ele esteja com fome (antes da refeição, por exemplo) para testar se ele come. Se comer, ótimo. Se não comer, não desanime. Seja como for, acrescente um pouquinho do frango moído à ração úmida e misture bem. Veja como ele reage. O restante da carne você pode congelar em pequenas porções, de modo que toda noite você tire um saquinho do freezer e deixe na geladeira para descongelar e ofereça aquecido da maneira citada e misturado à ração úmida da manhã. Demore algumas semanas (exemplo: um mês) até que o gato esteja comendo somente carne de frango moída e nada mais de ração úmida.

Observações importantes:
Ofereça a mesma quantidade que você vinha oferecendo de ração úmida. A indicação é que o gato, em situações normais, deve comer por dia de 4-6% do seu peso corporal.  Caso esteja emagrecendo, aumente a quantidade; e inverta o raciocínio se notar que ele está ganhando peso.

É importante tirar da vista do gato qualquer sinal da ração úmida de antes, pois o cheiro ou a visão do produto podem fazê-lo fraquejar e parar de comer a dieta natural. No entanto, guarde uma latinha fechada para emergências. Gatos gordinhos não podem passar mais de 24 horas sem comer nada, sob pena de desenvolverem uma condição chamada lipidose hepática, que pode ter sérias conseqüências. A latinha ficará guardada, portanto, como recurso último. Outra comida útil de se ter na dispensa são latinhas de sardinha ou atum em conserva. Você vai entender porquê.

Segundo o médico veterinário Richard Pitcairn, autor do livro “Dr. Pitcairn’s Complete Guide to Natural Health for Dogs and Cats” é muito importante para os gatos a ingestão diária de ácido aracdônico, derivado do ômega 6, presente, por exemplo, no óleo de fígado de bacalhau.

5- Variando as carnes
Se seu gato estiver comendo bem o franguinho, é hora de variar. Compre outras carnes e cortes – carne suína, bovina, miúdos – e vá oferecendo moído, gradativamente. Uma carne nova de cada vez, misturada a uma carne que você já sabe que ele gosta. Dizem que caldinho de sardinha em lata faz milagres. Você pode “disfarçar” uma carne nova usando caldinho de sardinha ou mesmo misturar um pouco de carne de sardinha na carne nova para estimulá-lo. Durante esse período de introduções, não se esqueça de acostumar o gato a comer miúdos, pois eles são uma importante parte da dieta natural (fonte de inúmeras vitaminas e minerais) e precisam ser consumidos semanalmente em uma das refeições. Boas opções são: coração bovino (rico em taurina), rim bovino e fígado bovino ou de frango.

6- Pedaços maiores
Quando o gato já estiver comendo a maior parte dessas carnes por conta própria, é hora de introduzir pedaços maiores em vez de carne moída. Como os felinos têm alta exigência diária de taurina (um aminoácido encontrado na carne) o melhor é que a carne oferecida contenha os melhores níveis de taurina possíveis. E, ao moer a carne, boa parte da taurina sofre oxidação, já que a moagem amplia a área de contato da carne com o ar. Além disso, bactérias também se alojam na carne moída roubando boa parte da taurina, o que resulta em deficiência de taurina a médio/longo prazo, uma condição muito grave para os gatos. Utilize a moagem apenas como forma de apresentar uma carne diferente e, uma vez que o gato esteja aceitando bem essa carne, passe a picá-la ou cortá-la em pedacinhos – isso não tem problema algum. Utilize o caldinho de sardinha ou mesmo a sardinha toda vez que sentir que um empurrãozinho é necessário para o gato se interessar. Mas vá tirando essa “colher de chá” para ele não acostumar. Caso, passado um tempo, você observe que seu gato não quis saber dos pedaços maiores, converse com um médico veterinário com experiência em nutrição natural sobre uma possível suplementação de taurina (existem alguns produtos no mercado). A indicação do médico veterinário Shawn Messonnier, autor do livro “Natural Health Bible for Dogs and Cats” é de 100mg por dia de taurina.

7 – Meaty Bones
Se seu felino estiver comendo bem os pedaços de diversas carnes, é hora de introduzir a fonte de cálcio: o meaty bone (osso com carne aderida, como asas, coxas, pescoço ou peito de frango contendo uma parte da carcaça óssea). É também importantíssimo que seu gato ingira uma fonte diária e abundante de cálcio, além de que o osso promove a ação mecânica que previne contra o cálculo dentário. Você deve oferecer um meaty bone por dia, tanto faz se na parte da manhã ou da noite. Comece dando um pescoço de frango (barato e facilmente encontrado em feiras-livres) ou uma asa de frango. E deixe seu gato investigar, lamber, brincar com a peça, até eventualmente comê-la inteira ou partes dela. A idéia é que ele aprenda a lidar com um osso, mesmo que nas primeiras tentativas não venha a comê-lo inteiro. No começo, ofereça ossos com menos carne (se for o caso, tire um pouco da carne e guarde para a refeição da noite), para que o gato não se satisfaça com a carne e largue o osso.

Vale marretar o meaty bone com um martelo nas primeiras vezes pra facilitar a vida do gato. Mas se seu gato não quiser mesmo saber do osso após várias tentativas, você precisará recorrer à moagem da peça de meaty bone inteiro (peça para o açougueiro fazer isso), ou ainda acrescentar à carne crua pó de casca de ovo (nesse blog você encontra como fazer) ou tabletes de cálcio triturados (consulte o veterinário para acertar a dosagem). A desvantagem é que sem os ossos não há prevenção da doença periodontal. Mas, por outro lado, pode ser uma boa opção para gatos idosos, com dentes frágeis ou quebrados ou mesmo para proprietários muito receosos ou para gatos que se recusem a comê-los.

8 – Purê de vegetais
Por último, quando as questões “variedade”, “miúdos”, “pedaços maiores” (ou ao menos “não moídos”), “cálcio” (seja por meaty bones, seja com suplementos) estiverem presentes na dieta do seu gato, introduza um pouquinho de purê de vegetais (legumes, verduras, frutas) a uma das refeições diárias do seu gato. Felinos são carnívoros obrigatórios, devendo comer de 90 a 95% de carne em suas refeições diariamente. Mas, ao devorarem suas presas na natureza, eles comem também o conteúdo intestinal dos herbívoros e onívoros, composto por pasto semi-digerido, cereais, sementes, frutas, e assim, têm acesso a outros minerais e vitaminas que eles não encontram na carne. Por isso, compre um pouquinho de verduras, legumes e frutas variados – folhas verdes são ótimas opções – bata um ou dois itens no liquidificador com um pouquinho de água e congele na forma de gelo (use os espaços vazios de uma bandeja de gelo). Assim você descongela só aquela porçãozinha que você vai oferecer no dia e guarda o restante para outras ocasiões. É importante que esses vegetais sejam dados: crus (assim como tudo nessa dieta), em purê, lavados, frescos (não “passando”), misturados/lambuzados à carne (do contrário, os gatos rejeitam) e, que sejam, de preferência, orgânicos. Como você vai comprar pouquinho, não vai sair caro. E lembre-se de variar pelo menos semanalmente os vegetais oferecidos. Só para ilustrar, se um gato tem que comer 100 gramas de alimento natural cru por dia, ele vai comer de 90 a 95 gramas de carne (incluindo o meaty boné) e de 10 a 5 gramas de purê de vegetais. Mas, caso seu gato se recuse a comer a carne lambuzada no purê, mesmo usando o artifício do caldinho/carne de sardinha, tudo bem cortar o purê. O importante meeeeesmo, para os gatos, é comer carne (proteínas, taurina, gorduras, vitaminas), miúdos e ossos (cálcio e outros minerais).

9- S.O.S
Algumas pessoas relatam que seus gatos às vezes param de comer carne crua. Rejeitam, sem mais nem menos, sem estar doentes ou com dor, etc. Se isso acontecer com seu gato, há várias estratégias a ser adotadas. Primeiro, você pode tentar deixá-lo com mais fome, reduzindo as duas refeições para uma única alimentação diária. Simultaneamente, troque a fonte de carne – ele pode ter enjoado de comer só frango, por exemplo. Se nada disso ajudar, parta para o caldinho de sardinha. Não deu certo? Misture sardinha aos pedaços de carne. Também não adiantou e faz quase 24 horas desde a última refeição dele? Pegue aquela latinha de ração úmida e besunte um pouco na vasilha dele, colocando a carne crua por cima. Se ainda assim não ele não comer, misture um pouco da ração aos pedaços de carne crua. Mas lembre-se: a ração úmida é o seu último recurso. Tão logo ele volte a comer, reduza e corte a ração úmida (esconda a latinha) e volte a oferecer a dieta natural, se necessário, até moída.

Bom apetite e uma lambida do Cachorro Verde!